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sexta-feira, 11 de Abril de 2014

Chocolate, disfarçado de bolo



Se não gostar de chocolate, não prove este bolo. Se gostar assim-assim de chocolate, não prove este bolo. Este é daqueles para os verdadeiros fãs de chocolate. Não de chocolate de leite.  De chocolate-chocolate, negro, amargo, sem grandes disfarces ou subterfúgios.


Imagine-se o prazer de um quadrado de chocolate preto a derreter, colado ao céu da boca. É assim que eu como chocolate. Deixo-o derreter lentamente e invadir-me o palato. Creio que fecho sempre os olhos, nem que por uns segundos. Aprecio-o melhor assim. Agora imagine-se que esse quadrado de chocolate tem uma textura esponjosa, que cede lentamente dentro da boca e que nela deixa o seu sabor durante muito tempo. Se esta ideia lhe parece bem, terá que provar este bolo.

Preferi fazê-lo sem cobertura, que substituí por umas pedras de flor de sal e um pouco de pimenta-rosa, moída no momento. Um bolo a celebrar intensamente o chocolate, que fica bem quando mantido igual a si próprio, ou seja, simples. Foi este o novo desafio do Dorie às Sextas.


*****

Almost-fudge Gâteau

"Baking", Dorie Greenspan

5 ovos grandes
255 gramas de chocolate preto, cortado grosseiramente
1 chávena de açúcar (usei amarelo)
70 gramas de manteiga sem sal, cortada em pedaços
2 colheres de sopa de café ou de água
1/3 chávena de farinha
Uma pitada de sal

Para a cobertura (opcional, não fiz)

115 gramas de chocolate preto, cortado grosseiramente
1/2 chávena de natas
2 colheres chá de xarope de milho claro

Colocar a grade do forno na parte central e pré-aquecê-lo a 175º. Untar uma forma de mola redonda, com 23 cm, com manteiga, cobrir o fundo com papel vegetal também untado, polvilhar com farinha e sacudir bem o excesso. Colocar a forma num tabuleiro coberto com papel vegetal ou um tapete de silicone.
Separar as gemas e colocá-las numa taça pequena, reservando as claras numa taça grande. Numa tigela à prova de calor colocada em cima de uma panela com água a ferver, juntar chocolate, açúcar, manteiga e café. Mexer de vez em quando até o chocolate e e manteiga estarem derretidos (não há problema se o açúcar ainda estiver ligeiramente granulado). Tirar a taça do lume e deixar a mistura repousar durante 3 minutos.
Com uma espátula de borracha, misturar as gemas uma a uma e, em seguida, envolver a farinha. 
Bater as claras em castelo com uma pitada de sal até estarem firmes. Misturar com a espátula 1/4 das claras na massa de chocolate, envolvendo em seguida as restantes claras. Deitar a massa na forma, abanado-a em seguida de um lado para o outro para nivelar a massa.
Levar ao forno entre 35 e 45 minutos, ou até o bolo ter crescido uniformemente (poderá crescer primeiro à volta e parecer feito, mas deverá ficar no forno mais uns minutos para o centro crescer também). O topo deve estar firme (poderá ficar rachado) e ao inserir uma pequena faca no centro, esta deverá sair apenas ligeiramente marcada pelo chocolate. Deixar o bolo arrefecer e repousar entre 5 e 10 minutos.Passar uma faca afiada pelos lados da forma e abrir a mola, retirando a parte lateral. Virar o bolo dobre uma rede, retirar a base da forma e o papel vegetal. Virar o bolo novamente sobre outra rede, deixando-o arrefecer até ficar à temperatura ambiente. À medida que arrefece, o bolo poderá afundar.

Para a cobertura (opcional, não fiz)

Para cobrir o bolo, virá-lo novamente sobre uma rede para a parte lisa ficar para cima. Colocar a rede sobre um tabuleiro com papel vegetal ou encerado para apanhar quaisquer pingos. 
Derreter o chocolate em banho-maria, numa tigela resistente ao calor sobre uma panela com água a ferver ou, alternativamente, no micro-ondas. O chocolate deverá ficar apenas derretido e morno, nunca quente. Ferver as natas num tacho pequeno, deitando-as em seguida sobre o chocolate, mexendo gentilmente com uma espátula de borracha até a mistura estar suave e brilhante. Misturar o xarope de milho. 
Deitar a cobertura sobre o bolo e alisar o topo com uma espátula metálica. Não há problema se a cobertura escorrer para os lados de forma irregular. Deixar a cobertura ficar à temperatura ambiente ou colocar no frigorífico durante 20 minutos. Se a cobertura ficar baça com o frio, aquecer o bolo ligeiramente com um secador de cabelo antes de servir, de modo a retomar o brilho.

segunda-feira, 7 de Abril de 2014

Filetes de baila com risotto de peixe


Em apenas trinta minutos, fiz um risotto de peixe, aproveitando o caldo que fiz no outro dia. A cor vem da cebola roxa, que lhe deu um bom sabor contrastante. Para acompanhar, preparei uns filetes de baila, que cozinhei rapidamente apenas num fio de azeite. Muito interessante...

*****

Filetes de baila com risotto de peixe

Para duas pessoas

Dois filetes de baila (ou robalo, pargo ou dourada)
Sal e pimenta
Azeite
Uma cebola roxa pequena
125 g  de arroz para risotto (usei carnaroli)
Um copo de vinho branco
Três decilitros de caldo de peixe + dois decilitros de água
Queijo parmesão, ralado no momento
Uma colher de sopa de manteiga

Temperar os filetes com um pouco de sal e pimenta. Reservar. Diluir o caldo na água a ferver. Cobrir o fundo de um tacho com azeite, refogar a cebola picada finamente e, quando estiver macia, fritar o arroz. Quando ficar branco, refrescar com o vinho e mexer até secar um pouco. Acrescentar o caldo aos poucos, mexendo sempre, durante cerca de 25 minutos. Tirar do lume. Juntar o parmesão e a manteiga e tapar. Rapidamente, deitar um fio de azeite numa frigideira e cozinhar os filetes durante dois minutos de cada lado. Servir de imediato.

terça-feira, 1 de Abril de 2014

Simplesmente... farófias



Não sou grande fã de doces de colher. Ou melhor, gosto, mas em muito pequena quantidade. Duas ou três colheres somente. Prefiro quase sempre um bolo seco ou umas bolachas caseiras, de preferência com pouco açúcar. Há, claro, algumas excepções e a que se destaca sem qualquer sombra de dúvida são as farófias. Um doce bem português, apesar de não se saber bem de que região provém. De acordo com este artigo, a receita mais antiga de um doce com preparação semelhante provém do Convento de Nossa Senhora da Conceição, em Loulé, e rondará o século XVIII. Apesar de ser um doce fácil, já comi más farófias mais vezes do que gostaria. E já comi muito boas farófias.


O que interessa realmente é ser um doce que me leva aos meus oito anos, à cozinha da minha avó com a sua mesa laranja de laminado, aos mimos que ela me fazia, como esta sobremesa que eu pura e simplesmente adorava e, sobretudo, à memória do meu avô diabético a rezingar por não poder comê-las e por ser só para a menina. Umas farófias pequenas, ligeiramente borrachentas, mas com um leite creme maravilhoso. Leva-me também aos meus catorze ou quinze, em que a Dona Clarisse, uma senhora espantosa que trabalhou muitos anos na casa dos meus pais, as fazia de vez em quando (a pensar em mim) apesar de estar por lá apenas umas horas por semana. Umas farófias grandes, nuvens magníficas, mas com um leite creme que não lhes ficava à altura. Adorava-as na mesma e sempre me convenci que as farófias perfeitas seriam as nuvens da Dona Clarisse com o leite creme da minha avó, mas nunca tive coragem para insinuar sequer um trabalho a quatro mãos àquelas senhoras que as faziam para mim, o melhor que conseguiam.



Talvez por ser algo que me habituei que fizessem para mim, ou por medo de não conseguir recriar essas memórias, talvez por nunca ter calhado...  nunca tinha feito farófias. No entanto, foi a primeira ideia que me passou pela cabeça para a edição de Abril do Dia Um... na Cozinha dedicada aos doces regionais. Por isso, apesar de fáceis, foram para mim um desafio. E acho que consegui fazê-las como as idealizava: belas nuvens fofas com um leite creme magnífico.


Aqui ficam.

*****

Farófias

Meio litro de leite gordo
Cento e cinquenta gramas de açúcar branco
Três gemas
Seis claras
Casca de limão
Pau de Canela
Canela em pó

Levar o leite a lume muito brando com cem gramas de açúcar, a casca de limão e o pau de canela até começar a fervinhar. Entretanto, bater as claras até formarem espuma, juntando cinquenta gramas de açúcar e continuando a bater até formar um merengue firme. Com uma colher de serviço, deitar colheradas de merengue dentro do leite, deixando cozer durante uns trinta segundos de cada lado (virar com uma escumadeira, retirando do leite bocados pequenos de claras que se desagreguem). É importante não deixar cozer demais para não ficarem borrachentas, devem ficar firmes por fora e macias por dentro. Colocar num recipiente, de preferência separadas para manterem uma forma perfeita. Escorrer bem o leite que se liberta e juntá-lo ao leite da cozedura. Coar bem esse leite por um passador. Bater ligeiramente as gemas e juntar, aos poucos, uma parte de leite quente mexendo muito bem para não talhar. Juntar esta mistura ao restante leite, levando novamente a lume brando para engrossar as gemas, de modo a fazer um leite creme bastante cremoso. Importante: antes de deitar o leite creme por cima das farófias, escorrer novamente algum leite que estas tenham libertado. Cobrir com o leite creme (ou servi-lo numa molheira à parte), deixar arrefecer, e polvilhar com canela em pó.


sábado, 29 de Março de 2014

Caldo de Peixe


Se há coisa que gosto de fazer é ir ao mercado. Se pudesse, fá-lo-ia diariamente e comeria apenas peixe, legumes e fruta absolutamente frescos. Infelizmente esse não é um luxo compatível com os meus horários de trabalho, pelo que tenho que me contentar em comprar peixe em maior quantidade e congelá-lo. Ultimamente tenho optado por cortar em filetes muitos dos peixes que compro, o que me deixa com cabeças, espinhas e alguns pedaços de bom peixe vítimas da minha técnica ainda em aperfeiçoamento. Muitas vezes, limito-me a cozer esses 'restos' para fazer uma massa ou um arroz. Porém, vi uma vez o Henrique Sá Pessoa (aqui) a fazer um caldo de salmonete que converteu numa belíssima sopa e resolvi replicar.


Digo-vos: este caldo de peixe faz uma base absolutamente fantástica para massas, para sopas, para arroz. E congela na perfeição. Tal como faço com o molho de tomate, congelo-o em formas de muffin, de cerca de cem mililitros, retiro-os das formas e conservo num saco até três meses.


De facto, não há limites para o que se pode fazer com os alimentos...

*****

Caldo de peixe

Um quilo e meio de espinhas de peixe, incluindo cabeças
Três tomates
Uma cenoura grande
Duas cebolas médias
Oito dentes de alho 
Duas folhas de louro
Azeite
Sal
Pimenta em grão
2,5 decilitros de vinho branco
Um litro de água quente

Cortar as espinhas dos peixes em pedaços e as cabeças em metades. Fritar espinhas e cabeças num tacho grande, com o fundo coberto de azeite. Entretanto, partir a cebola em meias luas finas, laminar os alhos e cortar a cenoura em rodelas, juntando ao peixe. Adicionar o louro e a pimenta em grão e temperar com sal. Juntar o vinho branco e o tomate em pedaços (pode ir com pele e grainhas), deixar ferver durante uns minutos, e juntar a água. Rectificar os temperos e deixar cozinhar durante cerca de uma hora. Triturar no liquidificador até ficar em creme. Passar por um passador de rede, deitando fora os resíduos que forem ficando. Passar novamente por um passador, desta vez com a rede um pouco mais fina, e voltar a rejeitar os resíduos. Provar para ver se não ficou com resíduos de espinha. Deve ficar um creme aveludado. Levar novamente ao lume, deixando reduzir um pouco. Usar como base de sopa de peixe, massadas, arroz de peixe ou em qualquer prato que necessite de caldo de peixe. Pode congelar-se em doses de 100 mililitros, mantendo-se até 3 meses no congelador e usando conforme for necessário.

terça-feira, 25 de Março de 2014

Feijoada de lingueirão ou as saudades das férias

Há receitas que nos lembram as férias. A praia. A pele a cheirar a mar e a creme e a sal. Os dias em que as rotinas se quebram, em que há tempo para ser. Para viver. Esta é uma delas.




Ando desesperada por dias desses. Por descansar. Por sair um pouco deste turbilhão. Até lá, fica o sabor de tempos mais calmos e mais felizes.


*****
Feijoada de lingueirão

Inspirada em algumas receitas (especialmente nesta) mas, sobretudo, em memórias

Um molho de lingueirão
Meio quilo de feijão branco ou manteiga (usei manteiga)
Uma cebola média
Quatro dentes de alho
Duas cenouras médias
Um tomate grande
100 ml de molho de tomate
Chouriço 
Bacon em cubos
Azeite
Sal
Pimenta em grão


Demolhar o feijão de véspera e cozer sem sal na panela de pressão (dez a quinze minutos depois de levantar fervura). Temperar com sal e reservar no caldo. Cozer o lingueirão em água a ferver, deixando-o abrir por completo. Retirar o miolo, cortar em três partes e reservar. Guardar a água. Cortar a cenoura em cubos. Picar finamente o alho e a cebola e refogar num tacho com o fundo coberto de azeite. Juntar o chouriço, o bacon e a cenoura, deixando cozinhar um pouco. Juntar o tomate em cubos e o molho de tomate. Deixar cozinhar. Juntar o lingueirão e deixar ferver durante cinco minutos. Juntar o feijão bem escorrido e adicionar a gosto um pouco da água de cozer o lingueirão. Cozinhar em lume brando durante cerca de quinze minutos, deixando apurar. Se ficar seco, adicionar um pouco mais de água da cozedura do lingueirão.    

sexta-feira, 21 de Março de 2014

Bolo de aniversário surpresa



A Cat fez anos no final de Fevereiro e, tal como no ano passado, quis que fosse a mãe a fazer-lhe o bolo. Nada pode dar-me mais prazer! Quis fazer-lhe um bolo-surpresa, com um desenho no interior. O Polka Dot Cake do aniversário do Tiago foi a minha primeira experiência com twice-baked cakes e não saiu totalmente como eu tinha antecipado: as bolas ficaram um pouco secas para o meu gosto e não fiz massa exterior em quantidade suficiente para dar o efeito pretendido. O que aprendi? O óbvio: há que testar estas coisas com antecedência! Então desta vez portei-me bem: comecei as pesquisas em Janeiro e fiz o teste logo no início de Fevereiro. Como não ia rechear com creme, escolhi usar a receita da torta de cenoura que a mãe do André costuma fazer, que fica bem molhadinha, e limitei-me a usar corante na massa. Para o bolo exterior, resolvi adaptar a receita do bolo de chocolate e beterraba do Henrique Sá Pessoa, que é pura e simplesmente espectacular.



A técnica do twice-baked cake é relativamente simples: faz-se o bolo pretendido para o recheio, corta-se com um cortador de bolachas para dar a forma desejada, faz-se a massa do bolo exterior e distribui-se os pedaços do bolo cortado pelo interior, fazendo uma espécie de tronco, para um bolo rectangular. Infelizmente as fotografias do passo-a-passo ficaram uma caca, então para entenderem a lógica espreitem aqui.



No teste, experimentei cortar o bolo de cenoura em corações (que ficaram com um vermelho lindo) e borboletas, mas estas pareciam símbolo do Batman pelo que achei por bem não repetir a façanha (pôr coisas vagamente de rapaz num bolo de aniversário da Cat seria quase pecado capital no entender da miúda...) então fiquei-me pelos corações. Tudo bem encaminhado e no rumo do sucesso total, não fosse eu um bocado indisciplinada e ter pensado: humm, em vez de usar corante artificial, vou tingir a massa de cenoura com beterraba!!! E assim fiz, contente da vida com a linda cor vermelha da massa. Mas querem saber? A beterraba perde (muita) cor no forno (eu não fazia ideia, só a tinha usado ainda no bolo de chocolate, onde o castanho absorve o vermelho) e os meus corações vermelhos ficaram... cor-de-laranja... sniff...


O que interessa é que ficou bom. Mesmo bom! Usei a cobertura de chocolate e malte da Dorie Greenspan e decorei com Smarties e bolinhas de açúcar.

E a Cat adorou: dois dos seus bolos favoritos num só! Como não???


*****

Bolo de Aniversário Surpresa

Bolo rectangular de 25 cm por 40 cm - serve cerca de 45 fatias

Para o interior

Bolo molhado de cenoura
(receita da sogrinha)

1,25 kg de cenouras descascadas, pesadas em cru
1,2 kg de açúcar amarelo
13 ovos
Raspa de 3 laranjas
300 g. de farinha
Corante alimentar a gosto

Cozer as cenouras em água. Pré-aquecer o forno a 180º. Escorrer bem e reduzir a puré com a varinha mágica. Bater as gemas com o açúcar amarelo até ficarem muito fofas e juntar o puré de cenoura, batendo bem. Adicionar o corante até conseguir a cor desejada. Juntar a raspa de laranja e a farinha, tornando a bater. Juntar as claras batidas em castelo muito firme. Forrar um tabuleiro de 25x40 cm com papel vegetal, deitar a massa e levar ao forno durante cerca de 20 minutos (ao espetar um palito, este deve sair seco, mas não é conveniente deixar o bolo no forno durante muito tempo, caso contrário irá secar). Deixar arrefecer completamente. Se houver tempo, levar ao frio durante pelo menos uma hora após arrefecer, facilita o processo de corte. Desenformar e usar um cortador de bolachas pequeno para obter a forma desejada. Reservar.

Para o exterior

Bolo de chocolate e beterraba
(adaptado de uma receita do Henrique Sá Pessoa)

Três beterrabas pequenas (c. cem gramas/cada)
Trezentas gramas de chocolate com 70% cacau
Um café e meio (usei descafeinado por causa dos miúdos)
Trezentas gramas de manteiga amolecida
Duzentas gramas de farinha de trigo
Uma e meia colher de chá de fermento em pó
Quatro colheres de sopa de cacau em pó
Oito ovos
Duzentas e oitenta gramas de açúcar amarelo

Cozer a beterraba inteira, com casca, em água a ferver e sem sal. Escorrer bem, deixar arrefecer, descascar e reduzir a puré com a varinha mágica. Derreter o chocolate com a manteiga e, assim que estiverem derretidos, juntar o café. Envolver bem. Bater as gemas metade do açúcar até ficarem bem fofas. Adicionar a mistura de chocolate e, em seguida, juntar o puré de beterraba. Peneirar a farinha com o cacau e o fermento e acrescentar à mistura de gemas e chocolate. Bater as claras em castelo com o restante açúcar e envolver suavemente no preparado anterior. Deitar cerca de um centímetro de massa num tabuleiro de 25x40 cm, untado com manteiga e polvilhado com farinha. Levar ao forno pré-aquecido a 175º durante cinco minutos, apenas para dar alguma textura à massa. Retirar do forno e, com cuidado para evitar queimaduras, montar as formas recortadas do bolo de cenoura como se fosse um tronco, seguindo ao longo da massa e fazendo três filas, comprimindo bem o espaço entre cada forma. Atenção: no caso dos corações, montei-os com a parte de cima virada para baixo, uma vez que queria que a base do bolo ficasse virada para cima. É importante pensar qual o lado que queremos que fique para cima no bolo ou corremos o risco de ficar com o desenho interior de pernas para o ar. Deitar a restante massa de chocolate sobre o bolo, tendo o cuidado de cobrir bem o bolo de cenoura. Levar ao forno durante cerca de 45 minutos, ou até o palito sair seco. Novamente, o bolo não deverá ficar demasiado tempo no forno para não secar. Deixar arrefecer bem e desenformar, tendo o cuidado de ficar com o desenho virado para cima.

Para a cobertura



Creme de chocolate e malte
Dorie Greenspan

Cento e setenta gramas de chocolate a setenta por cento picado grosseiramente
Um terço de chávena de açúcar amarelo
Um quarto de chávena de Ovomaltine
Duzentas e vinte gramas de manteiga sem sal, à temperatura ambiente
Uma pitada de sal
Três quatros de colher de chá de extracto de baunilha
Uma chávena de açúcar em pó, peneirado

Derreter o chocolate com metade do açúcar amarelo em banho-maria. Retirar do lume. Misturar o Ovomaltine e acrescentar o chocolate derretido, gradualmente, mexendo até ficar liso e brilhante. Bater a manteiga até ficar macia e fofa. Adicionar o açúcar amarelo restante e bater durante uns minutos. Juntar o extracto de baunilha, o sal e, aos poucos, o açúcar em pó. Cobrir o bolo. Levar ao frigorífico pelo menos uma hora.

Para enfeitar

Smarties Grandes
Smarties Pequenos
Bolinhas de açúcar multicolores

Começar com os smarties grandes pela base do bolo, colocando-os um a um, em fila, o mais juntos possível. Na fila seguinte, usar os smarties nos espaços da linha de baixo. Seguir a mesma lógica para os smarties pequenos, cobrindo bem os lados do bolo. Fazer uma bordadura na parte superior do bolo. Deitar as bolinhas coloridas no resto da parte superior do bolo. Levar ao frigorífico até à hora de servir. 

quinta-feira, 6 de Março de 2014

Caril de peixe com pimentos


Tenho pena de ter uma filha tão esquisita no que toca à comida. Percorremos já um longo caminho desde aqueles dois primeiros anos em que o que entrava com enorme custo, saía no fim da refeição, em que o leite era praticamente o único alimento apreciado, em que cada refeição era uma verdadeira tortura para todos... mas, ainda assim, continua a ser muito difícil pô-la a comer algo fora do que para ela é normal (ressalvando os legumes, já que ela adora aqueles que os miúdos geralmente detestam...).


Esta esquitice dificulta a inovação e torna o acto diário de cozinhar mais chato, menos prazenteiro. Por outro lado, torna cada rara experiência nova num verdadeiro prazer, como foi este caril de peixe.


Para além de bom e diferente, foi comido a dois, numa refeição sossegada como há muito não tinhamos.

*****

Caril de peixe com pimentos

Inspirada por esta receita.
Para duas pessoas

Óleo ou azeite
Uma cebola média
Três dentes de alho
Uma colher de sopa de caril em pó
Três vagens de cardamomo
Uma pitada de cominhos
Uma pitada de pimenta, moída no momento
Um quarto de pimento vermelho
Um quarto de pimento amarelo
Um pedaço de gengibre
Raspa e sumo de uma lima
Três medalhões de pescada, partidos em pedaços
Sal
200 ml de leite de coco
Açúcar, se necessário

Cobrir o fundo de um tacho com azeite ou óleo (o óleo é mais adequado, mas eu prefiro o azeite). Refogar a cebola picada e o alho. Juntar o caril em pó, as sementes de cardamomo, os cominhos e a pimenta, deixando fritar para libertar bem os aromas. Juntar o pimento picado fino e deixar cozinhar. Ralar o pedaço de gengibre e raspar uma lima. Temperar o peixe com sal e juntar ao refogado, deitando em seguida o leite de coco e envolvendo bem. Juntar o sumo da lima e deixar cozinhar durante uns minutos. Rectificar os temperos, podendo juntar-se um pouco de açúcar se estiver ácido. Deixar apurar durante 5-10 minutos. Servir com arroz Thai Jasmin.

Nota: não tolero bem o picante. Para quem gostar, juntar uma malagueta fresca, picada em pedaços com o pimento e, para os mais audazes, substituir o caril em pó por caril Madras.

sábado, 1 de Março de 2014

Pizza Party




A Catarina fez anos. Oito. Ainda com a (terrível) festa dos seis anos na minha memória, onde por milagre não ficámos sem casa (vá, estou a exagerar, foi só o quarto dela...), decidi que iria dividir a festa em duas partes, uma com as amigas da escola e a outra com a família, amigos e filhos dos amigos. Funcionou, apesar de cansativo. O controlo de danos é muito mais eficaz quando conseguimos ter um bando de miúdas debaixo de olho sem termos que nos preocupar por não estarmos a dar a devida atenção aos outros convidados.

Para que fosse possível, as amigas da Cat almoçaram cá em casa. E o que poderá ser mais do agrado de crianças de oito anos do que uma festa de pizza? 




Assim, com a ajuda de seis pares de pequenas mãos, eu e o André fizemos quatro pizzas: três ao gosto infantil - fiambre e fiambre com cogumelos - e a quarta ao gosto do mestre 'pizzeiro' cá de casa, uma bela Parma, com presunto, parmesão e rúcula.


A 'base' é uma pedra para pizza que ofereci em tempos ao André e que revolucionou completamente as pizzas cá de casa. Vai ao forno por uns quinze minutos antes de se fazer a pizza e, como aquece bem para além da temperatura do forno, torna a base extraordinariamente estaladiça. É relativamente barata e faz toda a diferença. As das miúdas foram feitas nas bases de metal e, apesar de a massa ser a mesma, o resultado não teve nada a ver...


E com esta festa de pizza, deixo a minha contribuição para o Dia Um... na Cozinha.


*****

Pizza Parma

Receita aperfeiçoadíssima pelo André. Aliás, eu fiz a massa, ele fez o resto.

Massa

Adaptada de "Cozinha na Itália", Jamie Oliver
(a favorita do Mestre Pizzeiro, que já testou inúmeras receitas)

Para 6 pizzas médias

Um quilo de farinha de trigo 65 
(no original, 800g de farinha de trigo forte + 200g sémola de trigo, moagem fina)
Uma colher de chá de sal fino
14g de fermento seco
1,5 c. sopa de açúcar amarelo
650 ml de água morna

Juntar a farinha e o sal numa superfície de trabalho e fazer um buraco com 18 cm no meio. Juntar o fermento e o açúcar com a água morna, misturar com um garfo e deixar repousar durante uns minutos. Deitar no buraco, fazendo movimentos circulares com o garfo de modo a trazer lentamente a farinha das bordas para o centro e misturá-la com a água. Mexer até incorporar toda a farinha e, quando a massa começar a ficar ligada, começar a dar a forma de uma bola com as mãos. Amassar bem, rolando a bola para trás e para a frente, esticando e dobrando a massa com as mãos até ficar uma massa leve e elástica. Polvilhar com farinha o topo da massa, cobrir com película aderente, e deixar repousar à temperatura ambiente durante pelo menos quinze minutos. Dividir a massa em tantas bolas quantas pizzas se desejar, dependendo, é claro do tamanho. Pegar numa bola, enfarinhar a superfície de trabalho e a bola, e estender com o rolo da massa num círculo de modo a que a base fique o mais fina possível. 

Molho de tomate

Dois quilos de tomate
Seis dentes de alho, laminados
Azeite
Sal, açúcar e pimenta
Manjericão ou orégãos frescos

Triturar os tomates no liquidificador. Refogar os alhos laminados no azeite e juntar o tomate triturado. Temperar com sal e pimenta e deixar cozinhar até reduzir a cerca de metade. Rectificar os temperos, juntar as ervas e deixar ferver. Coar num passador de rede.

Cobertura

Azeite 
Molho de tomate
Queijo mozzarela ralado
Presunto
Queijo parmesão em lascas
Rúcula fresca

Cobrir a massa estendida com um pouco de azeite e espalhar bem. Colocar a massa na pedra de fazer a pizza (ou numa base metálica) e espalhar o molho de tomate. Cobrir com mozzarela ralado. Levar ao forno até estar dourada e estaladiça. Retirar do forno e cobrir com fatias de presunto, a rúcula e o parmesão. Salpicar com um pouco de azeite.

quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2014

Panados de frango com lima e gengíbre | Crumbed chicken fillet with lime and ginger

Há receitas que são tão, mas tão simples que me questiono se vale a pena pôr no blog. Esta é uma delas e a resposta óbvia é... claro que sim!

Some recipes are so simple that I question myself if they should be in the blog. This is one of those and the obvious answer is: of course!



Os bifes de frango ficam extremamente tenros e suculentos. O tempero de lima e gengibre fresco combinam na perfeição. O panado é muito estaladiço. Enfim, uma delícia.

The chicken fillets are extremely moist and suculent. The seasoning of lime and fresh ginger are a perfect match. The crumb is amazingly crunchy... simply delicious.


Nem só de receitas elaboradas pode viver um blog. Afinal, o dia-a-dia é feito de receitas simples...

*****


Panados de frango com lima e gengibre | Crumbed chicken fillet with lime and ginger

Para quatro pessoas | Serves 4

Dois peitos de frango, cortados em bifes finos | 2 chicken breasts cut into fillets
Sumo de uma lima | 1 lime, juiced
Um pedaço de gengibre fresco | 1 chunk of fresh ginger
Sal | Salt
Pimenta | Pepper
Dois ovos | 2 eggs
Farinha | Flour
Pão ralado | Crumbed bread
Óleo para fritar | Oil

Com pelo menos uma hora de antecedência, temperara os bifinhos com sal, pimenta moída no momento, o sumo de lima e o sumo do gengibre, previamente ralado e espremido. Alinhar três pratos de sopa, um com farinha, outro com os ovos inteiros e bem batidos e o terceiro com o pão ralado. Passar os bifes primeiro pela farinha, depois pelo ovo e por fim pelo pão ralado. Fritar num dedo de óleo bem quente. Eu servi com massa com molho de tomate e basílico.

One hour before start cooking, season the fillets with salt, freshly ground pepper, lime juice and ginger (grated and squized, juice only). Line 3 dishes, one with flour, other with the whole eggs, beaten, and the third with crumbed bread. Cover the fillets with the flour, then with the egg and finally with the crumbed bread. Fry in a pan covered with about 1 cm. of hot oil. I've served them with pasta, tomato sauce and fresh basil.

quinta-feira, 13 de Fevereiro de 2014

Um fim-de-semana na aldeia

Estive para aqui a escrever um grande relambório para contar como a minha vida é ocupada e como ando exausta. Escrevi e apaguei, escrevi e apaguei... é que de facto, não vale a pena escrever sobre o óbvio. Como ter tempo neste mundo retorcido onde o Homem é capaz de inventar a tecnologia para lhe melhorar e facilitar a vida, mas não é capaz de perceber que ele próprio não é uma máquina (inorganicamente falando) e que esta velocidade a que todos vivemos não é sustentável? Como ser capaz de abrandar, de apreciar a vida, de saborear o momento, de criar, de fazer algo diferente ou, pura e simplesmente, de não fazer nada? É difícil. Mas é possível.

Há quase dois anos que eu e o André não fazíamos uma pausa, não tirávamos uns dias apenas para nós, sem fraldas, sem sopas, sem guerras com trabalhos para casa, sem casa em polvorosa, sem stress de manhã, à tarde e à noite... no último fim-de-semana tirámos. Fomos para perto, para muito perto, e ainda assim pareceu-nos tão longe do tempo e do espaço a que estamos habituados.

Foi aqui.
 
 


Uma aldeia pacata, toda recuperada. Uma sensação de enorme conforto, apesar do vento inclemente. Pão fresco à porta de manhã, um pequeno-almoço preparado à moda antiga, em cafeteiras e leiteiras de alumínio. 


Um almoço de petiscos minuciosamente preparados na 'tasquinha' da aldeia. Ler, ler, ler. Demasiado frio e demasiada chuva para irmos jantar onde quer que fosse, então o queijinho, o presunto e a garrafa de vinho que nos lembrámos de levar, just in case.


Um rasgo de sol a permitir algumas fotografias.


Como se chama, afinal? Aldeia da Mata Pequena, bem perto de Mafra.


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